Crítica “Gostosas, Lindas e Sexys”, filme de comédia nacional propõe empoderamento mas cai em lugar comum.

Se existe uma categoria de filme que sofre muito preconceito do público mais amante do cinema com certeza é a comédia nacional. Mesmo com obras incríveis que levam milhões de pessoas para as salas de cinema, esse tipo de filme vem sentindo há alguns anos um preconceito latente; Resultado obtido pelo perfil de muitas produções que se sustentam em piadas antigas e geralmente de cunho sexual.

“Gostosas, Lindas e Sexys” apesar de entrar nessa categoria se diferencia por uma proposta diferente do que estamos acostumados a ver em termo de cinema brasileiro; O filme dirigido por Ernani Nunes e roteiro de Vinícius Marquez, conta a história das amigas Beatriz (Carolinie Figueiredo), Ivone (Cacau Protasio), Marilu (Mariana Xavier) e Tânia (Lyv Ziese). Quatro mulheres que lidam diariamente com o preconceito de serem plus-size e buscam se afirmar como lindas e poderosas na sua vida pessoal e profissional.

Um dos principais acertos do filme é a química entre as protagonistas, onde cada uma demonstra uma personalidade única que se integra no texto quando estão todas em cena. Infelizmente pela escolha de dar a cada uma delas uma linha narrativa, o tempo de tela acaba ficando pobremente dividido, onde a personagem Beatriz toma conta deixando as outras personagens com um tempo muito restrito. O que acaba sendo uma perda de oportunidade, especialmente que os momentos reservados para as outras mulheres (especialmente a Ivone) são os pontos altos de comédia na história.

O background de teatro do roteirista se mostra muito presente nos diálogos. Com um texto que se encaixaria muito bem em uma peça, mas que no formato de cinema se mostra muito polido e não natural. Além disso, ao decorrer do filme são apresentados subplots com personagens e situações com grande potencial de desenvolvimento, que são esquecidos e desperdiçados ao passar do tempo.

A própria discussão sobre o preconceito que as personagens sofrem pelo peso de cada uma delas é esquecido, fazendo com que a proposta de empoderamento claramente apresentada no primeiro ato do filme seja deixada de lado, fazendo com que o filme seja apenas mais um onde o final feliz de uma mulher é encontrar um homem que a ame de verdade. Além disso mesmo com um elenco maioritariamente feminino, é claro um entendimento superficial do texto em entender as questões femininas, onde as mulheres magras são colocadas como inimigas das mulheres plus-size, afirmando um senso de inimizade típico apresentado na mídia.

É um filme que nem sabe a história que está contando, que se perde em decidir o seu plot principal e que mais se parece com uma série de TV que foi editada para caber em tempo de filme. Talvez na realidade se fosse filmada como uma série sua proposta ficasse mais clara e melhor desenvolvida.

Tem suas cenas engraçadas, muito sustentadas pelo carisma das atrizes principais. Mas como um todo é um filme esquecível e que acaba no lugar comum. O que particularmente me entristece pela oportunidade perdida de trazer um protagonismo de mulheres reais em uma mídia que procura as ignorar.

Nota final: De 0 a 5 Lápis, “Gostosas, Lindas e Sexys” o filme merece 1,5. Tem seus momentos divertidos, mas como um todo é uma obra que não funciona.
✏️

Autor: Ana Paula Fernandes

Designer Gráfico apaixonada por cinema e leitura, curiosa de tudo e que adora conversar (as vezes até demais). Começou o lápis 2b como forma de perder a vergonha e agora acabou a que tinha na geladeira.

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