Crítica Velozes e Furiosos 8, um filme exatamente como esperávamos.

Nota: 2,5 de 5

Ano de lançamento: 2017

Diretor: F. Gary Gray

Gênero: ação

Lembro-me de ter lido certa vez um texto de Ferreira Gullar que dizia “A novela de televisão – com raras exceções – pode ser definida como uma história implausível que se desdobra em episódios cada vez mais implausíveis […] Outra característica da vilã é a capacidade que tem de consumar suas maldades sem que nada o dificulte ou impeça.” Ao assistir Velozes e Furiosos 8 – em seu título original The Fate of the Furious, que remete a um final próximo da série, filme confirmado como sendo o primeiro pertencente a uma trilogia que levará ao fim de da franquia – percebi que o que eu estava assistindo muito se assemelhava a uma novela da dramaturgia brasileira, o que não precisa ser de todo ruim.

Desde 2001, a corrida de carros se tornou um dos favoritos temas de filmes de ação de seu público, com o lançamento do primeiro filme Velozes e Furiosos. E, mesmo quase 17 anos depois, ele não deixa de surpreender em suas cenas de ação cada vez mais exageradas, mostrando que é uma das únicas sequências de filmes de uma franquia que consegue manter-se firme em seus propósitos. Um filme divertido e cheio de cenas cada vez mais mirabolantes, mas que dificilmente passa disso.

O protagonista, Dominic Toretto, encontra-se frente a um terrível desafio neste filme: enfrentar a sua própria família, ao aliar-se com a vilã Cipher – interpretada por Charlize Theron. Tal união entre o protagonista e a mais perigosa hacker do mundo tem o seu porquê sendo revelado ao longo da narrativa, em inserções que vem numa tentativa de dar ao filme um ar um pouco mais profundo – que falha terrivelmente em sua maioria pela falta de capacidade de Vin Diesel em demonstrar o que realmente o personagem está vivendo.

A sua família – os outros corredores – devem então impedir Dom de continuar seus ataques e descobrir porque ele está agindo dessa forma, jamais perdendo a confiança em seu parceiro. O que acontece em seguida é uma sucessão de eventos que apenas prova que nada de ruim pode acontecer a essas pessoas, como se o caminho estivesse aberto para eles e tudo que eles tentem fazer seja muito simples, como invadir uma base militar ou roubar tecnologia nuclear – o mesmo acontece com a antagonista, que encontra poucos reais desafios em sua jornada – e o filme acaba quase virando uma guerra entre quem consegue fazer mais coisas surreais em menos tempo. A corrida de carros virou um espetáculo, no qual tudo pode acontecer e os protagonistas jamais saem gravemente feridos.

Porém, quem entra na sala de cinema para assistir Velozes e Furiosos 8 não está esperando uma trama intricada e cheia de detalhes, e sim por mais e mais cenas de carros pulando edifícios, batendo em outros carros e explosões. Além de novamente exibir Dwayne Johnson e Jason Statham, que trazem com suas brigas hilárias um alívio cômico ao filme e devolvem a ele o tom divertido que parece que tentaram equilibrar com o drama de Dominic. O filme não deixa o telespectador decepcionado, porém traz um exagero em si que vem se tornando cada vez mais comum no decorrer dos filmes da franquia, utilizando-se de muitos recursos pirotécnicos e cenas completamente irreais para representar o que antes encantou seu público.

No fim das contas, Velozes e Furiosos é um filme que tem o que se espera dele e nada mais, cenas de ação extremamente elaboradas e uma história de fundo que pode-se chamar de previsível e que não impacta tanto quanto os carros explodindo.

Autor: lory75

Designer gráfico e aspirante a escritora, apaixonada por livros e ilustrações. Dona do blog loryfernandes.com, onde compartilha o que vive e experimenta por aí.

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