Crítica “Vida” . Filme de terror com cenas sangrentas, mas que não passa disso.

Faltando pouquíssimo tempo para o lançamento de Alien: Covenant, Daniel Espinosa surge com um filme muito próximo e claramente inspirado na proposta desta franquia, que assusta, mas que deixa a desejar.

Confesso que quando cheguei na sala de cinema, eu não tinha a menor ideia de onde eu estava me enfiando. Assumindo riscos, fui assistir um filme sobre o qual eu pouco sabia. Eu desconhecia inclusive o seu gênero. Os primeiros minutos do filme, porém, não dão indicação alguma para viajantes desavisados do que está por vir – isso pode ser bom ou ruim, considerando que o susto quando a verdade veio a tona foi muito maior e é exatamente isso que a obra espera: sustos. No entanto, o início do filme é apenas uma amostra do retalho que é esta obra, que se inspira em várias outras do mesmo gênero, como Gravidade, Interestelar e até mesmo o próprio Alien.

O filme se passa em uma estação espacial, que muito se assemelha a uma que existe hoje, a ISS (International Space Station) – trazendo até uma verossimilhança ao mundo de hoje, embora seja algo que muito limite a estética do filme. Por ser uma estação com uma gravidade diferente a da Terra, muito se pode explorar em movimentos de câmera e cena. Apesar de ter sido uma tentativa ousada, isso não foi feito muito bem, deixando os telespectadores diante de cenas angustiantes e que não demonstram tão bem a atmosfera que o filme quer passar, ao menos nos primeiros minutos, pois essas cenas se encaixam muito bem com as cenas de perseguição e ataque.

A estação é habitada por seis astronautas que esperam o retorno de uma sonda do planeta Marte, tal sonda contém amostras do solo do planeta e em uma dessas amostras, o cientista Hugh Derry, interpretado por Ariyon Bakare, descobre uma única célula semelhante a células encontradas na Terra. Em um experimento curioso com glicose, ele é capaz de trazer a célula de volta à vida e vemos durante o filme como este ser vai se desenvolvendo até se tornar algo semelhante a uma estrela do mar translúcida e super inteligente – o vilão da história, carinhosamente nomeado de Calvin, por crianças na Terra.

A obra então se desenrola nas tentativas dos personagens em sobreviver aos ataques do alien que se desenvolve cada vez mais rápido, a medida que vai encontrando e ‘comendo’ suas vítimas e, ao mesmo tempo, não deixar que ele chegue ao planeta azul, onde pode causar uma catástrofe.

Vida tem seus momentos bons, assustadores, mas a falta de conexão entre os personagens principais e a obviedade da história faz com que eles se tornem obsoletos. Apesar de ter um elenco de peso, com atores como Ryan Reynolds, Rebecca Ferguson e Jake Gyllenhaal, os personagens são muito pouco aproveitados e parcamente interpretados e apesar das cenas – até pessoais demais – sobre eles que são inseridas durante o filme, elas não são capazes de fazer com que o público se conecte a eles e apenas quebram o ritmo da história.

Resumindo, Vida é um filme interessante, para quem gosta do gênero, com algumas boas cenas de terror e bem sangrentas, como o público gosta, mas não passa disso.

Autor: lory75

Designer gráfico e aspirante a escritora, apaixonada por livros e ilustrações. Dona do blog loryfernandes.com, onde compartilha o que vive e experimenta por aí.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s