Crítica Emoji: O Filme

Crítica Emoji: O Filme

Se tem uma palavra que define muito bem o que é esse filme é “Meh”. Emoji: O Filme é uma cópia de Divertidamente, cheia de propagandas da Sony e merchandising do Candy Crush e Spotify.

A história se passa dentro de um celular, o aparelho do garoto Alex, que tem uma grande queda por uma menina de sua sala chamada Addie. Dentro de seu aparelho existe o imenso mundo dos aplicativos e dentro desse mundo está a cidade dos emojis, Textopolis, no aplicativo de mensagem. Dentro dessa cidade, os emojis tem apenas um trabalho, permanecer com a sua “face de emoji” a todo instante, então se um emoji é o emoji sorridente, ele estará sempre sorridente. A história segue o protagonista Gene, que falha em seu primeiro dia de trabalho como emoticon, sendo incapaz de reproduzir a sua face, que é a Meh. Logo ele começa a ser perseguido, por ser um bug no sistema e foge do seu app, junto com um emoji esquecido e antes pertencente aos favoritos, o Bate Aqui, à procura da hacker que possa ‘consertá-lo’, a Rebelde.

Desde o começo é possível ver a semelhança entre ele e o filme em que, acredito eu, ele se inspirou, divertidamente. Os emojis dentro do celular de Alex fazem de tudo para que a vida dele se torne mais fácil, eles só querem ajudá-lo de toda forma possível e quando Gene perde o controle, ele põe tudo a perder. E até mesmo quando eles estão fugindo dos robôs que colocaram para persegui-lo e acidentalmente ‘liga’ alguns aplicativos ele coloca esse objetivo em cheque, fazendo o dono do aparelho passar por momentos vergonhosos.

Uma das grandes falhas do filme é a falta de empatia dos personagens. Eles não são divertidos, são superficiais e pouco explorados e é muito difícil para o público criar uma conexão com eles. Eles passam por situações que deveriam ser engraçadas, mas muitas vezes são muito forçadas em uma jornada nada atrativa e o espectador é obrigado a assistir o pesadelo dos emojis na sua frente, com músicas legais, mas que não enganam o que realmente é o filme.

Pra não dizer que é uma total perda de tempo, o visual do filme é muito bonito. Tem cores vibrantes e pode ser divertido para uma audiência que esteja acostumado com esse tipo de ambiente – o de celulares -, porém depois de alguns minutos tudo isso fica maçante e chato de se ver.

Esse não é um filme divertido o suficiente para crianças, que pouco interagem com emojis, tampouco maduro ou com conteúdo para que um adulto ou um adolescente querer ver. É como se a Sony tivesse pego Toy Story, Divertidamente e Detona Ralph e colocasse no liquidificador junto com o emoji do cocô – que, aliás, é uma celebridade em Textopolis – e dai tivesse surgido Emoji: O Filme.

Crítica Polícia Federa – A Lei É Para Todos

Crítica Polícia Federal - A Lei É Para Todos

Filme baseado no livro de mesmo nome, pelos autores Carlos Graieb e Ana Maria Santos, a obra Polícia Federa – A Lei É Para Todos trás um retrato das primeiras fases da Operação Lava Jato, da perspectiva dos policiais e delegados envolvidos no caso. Um filme que, segundo o diretor Marcelo Antunez, ‘não é político’. Ou não é para ser.

A obra tem como objetivo esclarecer o que aconteceu durante as primeiras fases da operação e, com sorte, levar alguma reflexão aos espectadores sobre o que está acontecendo no país. Ela nos guia desde o começo das operações, a partir do que era para ser uma investigação de contrabando de drogas até a condução coercitiva do ex-presidente Lula. É claro que ainda há muita história para contar e que esse filme faz parte de uma série.

“Que país é esse?”, é uma frase que aparece diversas vezes durante o caso, como visto no filme como fala de um dos réus, que não acredita que está realmente sendo preso – e também na própria operação, como nome de uma das fases. Essa é a frase que guia o filme, pois mesmo em uma operação tão grande e intensa quanto essa, alguns dos policiais ainda não acreditam que serão capazes de mudar alguma coisa no país com tudo que estão fazendo em suas investigações.

O filme é mostrado pela visão da Polícia Federal e, especialmente três oficiais que protagonizam a cena em questão, os delegados Julio Cesar e Beatriz, interpretados por Bruce Gomlevsky e Flávia Alessandra e Ivan Romano, o coordenador da Lava Jato, interpretado por Antonio Calloni. Os policiais neste filme são trazidos como os heróis da história, os mocinhos que vieram para acabar com o mal presente no país, coisa que até para eles parece ser impossível. O protagonismo deles é tanto que até o juiz Sergio Moro (Marcelo Serrado) é deixado de lado. Quase não ouvimos o seu nome, sendo ele referido comumente como apenas “O juiz”. Apesar do estrelismo destes personagens, a presença da delegada Beatriz e o empoderamento que lhe deram é um alívio e é recebido de braços abertos.

O filme é repleto de exageros e enquanto idolatra os oficiais que cuidam do caso, trata os empresários e políticos como bandidos, estes que aparecem com seus nomes reais na película, quando todos os oficiais ganharam pseudônimos. É um filme tão repleto de mistérios quanto seu roteiro, pois nem o investidor secreto foi revelado. Especulações rolam pela internet sobre quem estaria por trás da obra e que talvez esse seja o motivo dela focar tão fortemente no idealismo da PF e no vilanismo de alguns partidos específicos (diga-se de passagem, o PT) em detrimento de outros.

Deixando de lado o roteiro e aceitando que, em uma obra desse porte, algumas licenças poéticas precisaram ser tomadas, é bem fácil elevar esse filme a um patamar de um típico filme policial, com cenas de ação emocionantes – pois embora o trabalho da PF seja majoritariamente de investigação, ninguém aguentaria ver 2 horas apenas disso na tela -, personagens cativantes e um mistério maior a ser desvendado. A forma como a obra é executada é primorosa, nos trazendo cenas bem editadas e dirigidas, com luz e enquadramento muito bons e atores talentosíssimos.

Policia Federal – A Lei É Para Todos pode ter algumas incoerências nos fatos, mas foi muito bem executado como uma obra policial e vai depender de cada um que o assiste, determinar até onde levá-lo a sério.

Crítica: Planeta dos Macacos – A Guerra (2017)

Se eu pensei que não me emocionaria tanto com um filme quanto em Logan e tão rápido assim, me enganei terrivelmente. Planeta dos Macacos: A Guerra é um filme que mexe fundo em nós.

Planeta dos Macacos: A Guerra nos leva através da jornada de César – e um grupo de companheiros cada vez mais estranhos, incluindo uma humana – em busca de sua vingança, numa luta contra o Coronel, homem considerado quase um deus, pelo seu exército, e que entra numa guerra ferrenha contra os macacos, determinado a exterminar o seu líder.

Esse filme não só mexe com os sentimentos mais profundos dos personagens, como também mostra uma evolução clara dentro deles e nas relações entre eles. Eu achei o passo do filme lento e calmo. É daqueles filmes que nos faz dançar junto com a história, no seu ritmo. E, mesmo assim, não nos deixa menos presos à tela, menos ansiosos em saber o que vai acontecer ou menos desejosos para que tudo dê certo para o melhor herói, enquanto nem ele sabe mais se acredita em si mesmo.

É um filme que trás macacos como protagonistas, são os símios que ocupam a tela a maior parte do filme, a construção da história nos faz sentir empatia por eles, nós torcermos por eles até mesmo contra a nossa própria raça.

Aliás, não acho que esse filme trás apenas o melhor herói, como também é uma das melhores trilogias que eu já vi. As referência à obra original são tantas e as ligações sutis entre as séries, que deixam bastante claro que essa trilogia veio para dar um foco maior à série original e não trazer uma ideia completamente nova. É um filme que não precisa refazer o que já foi feito para ter o que contar.

Esse filme amarra todas as pontas e consegue reinventar a série Planeta dos Macacos, respeitando a sua forma original, mas de forma que consegue aperfeiçoar ainda mais uma história que já era maravilhosa. Planeta dos Macacos: A Guerra é um filme sensacional e merece ser visto quantas vezes for preciso.

Crítica: Homem Aranha – De Volta ao Lar

Se os adolescentes, em suas mudanças de comportamento e amadurecimento, passam pelo período de crescimento como se estivessem numa montanha-russa de sentimentos, imagine um desses que ainda tem que lidar com “grandes poderes” e “grandes responsabilidades”. Esse é o caso do Peter Parker, o Homem Aranha, um adolescente como qualquer outro que além de preocupações normais do ensino médio, tem sobre os seus ombros os problemas de um super-herói. Mas, ao contrário do que se pensa, o Peter de De Volta ao Lar quer essas responsabilidades e, ainda mais, quer ser muito mais do que um “Amigão da Vizinhança”.

De Volta ao Lar é um filme que te deixa com aquele gostinho de quero mais. É leve, divertido e mostra um lado do Peter que os outros filmes do super-herói mais querido de todos peca em mostrar. Esse não é um Peter com uma enorme câmera no pescoço, que chama mais atenção do que gostaria, um imã para garotas bonitas, que faturou mocinhas como Gwen Stacy e Mary Jane Watson. Ele é um garoto mais normal impossível, com problemas como não saber como falar com a garota com quem tem uma crush, que roupa usar no baile da escola, provas escolares. Ele é um youtuber que quer mostrar ao mundo as peripécias em que se meteu. Que garoto, que conhece a identidade de super-heróis por aí não gostaria de poder contar pro seu melhor amigo o que sabe?

Peter Parker é interpretado por um adolescente de verdade, um garoto extremamente divertido e que consegue finalmente captar a essência do Homem Aranha, criando uma harmônia entre a timidez do Peter e as tiradas hilárias do super-herói. Ele é o tipo de personagem com quem o público se identifica e fica cativado. Um personagem que nos envolve no filme e em seus problemas.

Aliás, que problemas. Não estou falando aqui dos vilões que ele é obrigado a enfrentar. Não, muito mais do que isso, seus problemas são muito humanos e o mais interessante do filme é que o foco está justamente nestes problemas adolescentes que qualquer um enfrenta na vida e não nas batalhas épicas, onde o super herói está sempre tentando salvar o mundo.

O que nos convida a outro ponto. Não é só Peter que é humanizado e aproximando do público neste filme, mas também o vilão. Finalmente um filme do Homem Aranha trouxe um vilão digno de nossa atenção. Michael Keaton aparece com uma interpretação impecável do Abutre, um vilão que poderia ser qualquer um de nós. Um homem de classe média, que cansou de ser uma vítima do sistema, um homem de motivações normais e relativamente simples, que muda o destino com as próprias mãos, quando começa a vender armas de alta tecnologia para bandidos. Ele não quer destruir Nova York, ele apenas quer buscar o próprio sustento.

No fim das contas, até as cenas pós-créditos contribuem para todo o clima descontraído e charmoso do filme. Tom Holland nos presenteia com uma perfeita interpretação desse maravilhoso super-herói e nos deixa com a certeza de que dessa vez a Marvel acertou de vez.

Crítica “Vida” . Filme de terror com cenas sangrentas, mas que não passa disso.

Faltando pouquíssimo tempo para o lançamento de Alien: Covenant, Daniel Espinosa surge com um filme muito próximo e claramente inspirado na proposta desta franquia, que assusta, mas que deixa a desejar.

Confesso que quando cheguei na sala de cinema, eu não tinha a menor ideia de onde eu estava me enfiando. Assumindo riscos, fui assistir um filme sobre o qual eu pouco sabia. Eu desconhecia inclusive o seu gênero. Os primeiros minutos do filme, porém, não dão indicação alguma para viajantes desavisados do que está por vir – isso pode ser bom ou ruim, considerando que o susto quando a verdade veio a tona foi muito maior e é exatamente isso que a obra espera: sustos. No entanto, o início do filme é apenas uma amostra do retalho que é esta obra, que se inspira em várias outras do mesmo gênero, como Gravidade, Interestelar e até mesmo o próprio Alien.

O filme se passa em uma estação espacial, que muito se assemelha a uma que existe hoje, a ISS (International Space Station) – trazendo até uma verossimilhança ao mundo de hoje, embora seja algo que muito limite a estética do filme. Por ser uma estação com uma gravidade diferente a da Terra, muito se pode explorar em movimentos de câmera e cena. Apesar de ter sido uma tentativa ousada, isso não foi feito muito bem, deixando os telespectadores diante de cenas angustiantes e que não demonstram tão bem a atmosfera que o filme quer passar, ao menos nos primeiros minutos, pois essas cenas se encaixam muito bem com as cenas de perseguição e ataque.

A estação é habitada por seis astronautas que esperam o retorno de uma sonda do planeta Marte, tal sonda contém amostras do solo do planeta e em uma dessas amostras, o cientista Hugh Derry, interpretado por Ariyon Bakare, descobre uma única célula semelhante a células encontradas na Terra. Em um experimento curioso com glicose, ele é capaz de trazer a célula de volta à vida e vemos durante o filme como este ser vai se desenvolvendo até se tornar algo semelhante a uma estrela do mar translúcida e super inteligente – o vilão da história, carinhosamente nomeado de Calvin, por crianças na Terra.

A obra então se desenrola nas tentativas dos personagens em sobreviver aos ataques do alien que se desenvolve cada vez mais rápido, a medida que vai encontrando e ‘comendo’ suas vítimas e, ao mesmo tempo, não deixar que ele chegue ao planeta azul, onde pode causar uma catástrofe.

Vida tem seus momentos bons, assustadores, mas a falta de conexão entre os personagens principais e a obviedade da história faz com que eles se tornem obsoletos. Apesar de ter um elenco de peso, com atores como Ryan Reynolds, Rebecca Ferguson e Jake Gyllenhaal, os personagens são muito pouco aproveitados e parcamente interpretados e apesar das cenas – até pessoais demais – sobre eles que são inseridas durante o filme, elas não são capazes de fazer com que o público se conecte a eles e apenas quebram o ritmo da história.

Resumindo, Vida é um filme interessante, para quem gosta do gênero, com algumas boas cenas de terror e bem sangrentas, como o público gosta, mas não passa disso.

Crítica Velozes e Furiosos 8, um filme exatamente como esperávamos.

Nota: 2,5 de 5

Ano de lançamento: 2017

Diretor: F. Gary Gray

Gênero: ação

Lembro-me de ter lido certa vez um texto de Ferreira Gullar que dizia “A novela de televisão – com raras exceções – pode ser definida como uma história implausível que se desdobra em episódios cada vez mais implausíveis […] Outra característica da vilã é a capacidade que tem de consumar suas maldades sem que nada o dificulte ou impeça.” Ao assistir Velozes e Furiosos 8 – em seu título original The Fate of the Furious, que remete a um final próximo da série, filme confirmado como sendo o primeiro pertencente a uma trilogia que levará ao fim de da franquia – percebi que o que eu estava assistindo muito se assemelhava a uma novela da dramaturgia brasileira, o que não precisa ser de todo ruim.

Desde 2001, a corrida de carros se tornou um dos favoritos temas de filmes de ação de seu público, com o lançamento do primeiro filme Velozes e Furiosos. E, mesmo quase 17 anos depois, ele não deixa de surpreender em suas cenas de ação cada vez mais exageradas, mostrando que é uma das únicas sequências de filmes de uma franquia que consegue manter-se firme em seus propósitos. Um filme divertido e cheio de cenas cada vez mais mirabolantes, mas que dificilmente passa disso.

O protagonista, Dominic Toretto, encontra-se frente a um terrível desafio neste filme: enfrentar a sua própria família, ao aliar-se com a vilã Cipher – interpretada por Charlize Theron. Tal união entre o protagonista e a mais perigosa hacker do mundo tem o seu porquê sendo revelado ao longo da narrativa, em inserções que vem numa tentativa de dar ao filme um ar um pouco mais profundo – que falha terrivelmente em sua maioria pela falta de capacidade de Vin Diesel em demonstrar o que realmente o personagem está vivendo.

A sua família – os outros corredores – devem então impedir Dom de continuar seus ataques e descobrir porque ele está agindo dessa forma, jamais perdendo a confiança em seu parceiro. O que acontece em seguida é uma sucessão de eventos que apenas prova que nada de ruim pode acontecer a essas pessoas, como se o caminho estivesse aberto para eles e tudo que eles tentem fazer seja muito simples, como invadir uma base militar ou roubar tecnologia nuclear – o mesmo acontece com a antagonista, que encontra poucos reais desafios em sua jornada – e o filme acaba quase virando uma guerra entre quem consegue fazer mais coisas surreais em menos tempo. A corrida de carros virou um espetáculo, no qual tudo pode acontecer e os protagonistas jamais saem gravemente feridos.

Porém, quem entra na sala de cinema para assistir Velozes e Furiosos 8 não está esperando uma trama intricada e cheia de detalhes, e sim por mais e mais cenas de carros pulando edifícios, batendo em outros carros e explosões. Além de novamente exibir Dwayne Johnson e Jason Statham, que trazem com suas brigas hilárias um alívio cômico ao filme e devolvem a ele o tom divertido que parece que tentaram equilibrar com o drama de Dominic. O filme não deixa o telespectador decepcionado, porém traz um exagero em si que vem se tornando cada vez mais comum no decorrer dos filmes da franquia, utilizando-se de muitos recursos pirotécnicos e cenas completamente irreais para representar o que antes encantou seu público.

No fim das contas, Velozes e Furiosos é um filme que tem o que se espera dele e nada mais, cenas de ação extremamente elaboradas e uma história de fundo que pode-se chamar de previsível e que não impacta tanto quanto os carros explodindo.