Crítica Tempestade – Planeta em Fúria

Geostorm

Toda geração recebe um filme desse tipo, recheado de cenas de catástrofes – naturais ou não -, muita ação e momentos de muita adrenalina. Tempestade – Planeta em Fúria não trás nada diferente de outros filmes do mesmo gênero e pior, também não acrescenta nada de novo.

Poucos anos a frente da nossa própria época, o Aquecimento Global e as tragédias naturais tomam proporções insustentáveis. Diversas nações do mundo se unem para criar um satélite que dispersa uma rede ao redor do globo que é capaz de controlar as temperaturas na terra e prevenir desastres como os que já vinham acontecendo.

A trama gira em torno de Jake Lawson (Gerard Butler) e seu irmão Max Lawson (Jim Strugess). Jake é um renomado cientista conhecido por comandar uma equipe de centenas de cientistas de 17 países para montar e fazer funcionar o “Dutch Boy” – como ele carinhosamente apelidou o gigantesco satélite. Jake porém é afastado do cargo e este é assumido pelo seu irmão, Max, o que causa uma rivalidade barata entre os dois.

Anos depois, o Dutch Boy começa a apresentar falhas e, ao invés de proteger o planeta, vem causando desastres em alguns países. Todos concordam que o único capaz de descobrir o que está acontecendo é Jake. Max e Jake tem que lavar sua roupa suja e se unir – e diga-se de passagem, essas discussões de irmãos acontecem diversas vezes durante o filme, possuem diálogos terríveis e pobres e são, no mínimo, engraçadas.

A trama no início do filme possui uma ideia muito interessante, cheia de traições, conflitos e jogo de poder. A verdade é que Jake e Max suspeitam que a falha do Dutch Boy não seja simplesmente um erro, mas algo causado por alguém propositalmente. Um contexto que tinha muito para dar certo, foi descendo ladeira abaixo quando foi apresentado com diálogos ridículos, personagens infantis – e chatos, sim – e tramas e sentimentalismos forçados. Inclusive não só os personagens e algumas tramas são infantis, como também a narradora que apresenta e finaliza o filme. Uma criança.

A única coisa que se salva nesta obra são as cenas de ação, que não há como negar que são bonitas. E, ainda assim, elas não são das melhores. E um detalhe é que sempre que um país aparece, surgem também versões estereotipadas de seus habitantes – incluindo do Rio de Janeiro. O filme dessa geração, infelizmente, falhou.

Crítica “Um família de Dois”

“Estão se tornando cada vez mais raras as oportunidades que temos de aproveitar a experiência de um roteiro profundo no cinema sem os costumeiros recursos visuais e narrativos que tornam a história e os personagens mais pesados sem necessariamente entregar muita substância no resultado final.

É um alívio enorme ter me deparado com “Uma Família de Dois”: foi a surpresa que eu estava precisando para me lembrar o porquê meu gênero favorito sempre foi o drama, apesar de minha atenção estar voltada constantemente para as grandes produções e filmes de heróis.

Vivendo no ensolarado litoral sul da França Samuel (Omar Sy) trabalha pilotando lanchas para ricaços e animando a vida noturna das praias locais. Seu ciclo de interminável diversão e promiscuidade é interrompido subitamente pela chegada de Kristin (Clémence Poésy), uma garota britânica que vem para deixar com Samuel o resultado de sua noite de farra do ano anterior: a filha de Samuel, uma bebê de poucos meses de idade chamada Gloria.

Ele tenta convencer a mãe a não abandonar a criança, e persegue Kristin de volta a sua cidade natal, no Reino Unido. Sem sucesso, Samuel se vê em um determinado momento sozinho na capital britânica com Gloria sob sua responsabilidade e tenta fazer uma nova vida para si trabalhando como dublê em séries de ação enquanto tenta criar a filha da melhor maneira possível sem a presença da mãe.

A melhor parte dessa breve sinopse aí em cima é que a essência da sequência de eventos é tão simples quanto a descrevemos. Samuel está acostumado com a vida de bebedeiras e sexo sem compromisso até a reviravolta causada pela chegada de Kristin. Faz parte da premissa do filme que saibamos sobre a relação que ele cria com a filha, e é natural que a audiência também espere de Samuel uma certa amargura ou mesmo ressentimento por ter tido o seu estilo de vida completamente mudado pela chegada inesperada de uma criança.

A atuação primorosa de Omar Sy faz com que possamos nos identificar com a situação pela qual ele está passando assumindo essa imensa responsabilidade. Ele é transformado pela chegada de Gloria, ao mesmo tempo em que continua sendo o mesmo cara que está acostumado a usar e abusar do seu carisma para conseguir o que quer, no melhor estilo canastrão que tudo mundo adora no cinema. Ele vai de pai improvável a melhor pai do mundo, e essa é uma jornada deliciosa de se acompanhar.

É claro que o ponto alto do filme é a relação criada nessa família improvável, que o título traduzido nos faz acreditar que é composta apenas por Gloria e Samuel. No entanto o personagem de Omar Sy conta com a ajuda constante de Bernie, interpretado por Antoine Bertrand, o produtor dos filmes e séries em que Samuel atua, e que lhe permite prover o sustento e conforto para Gloria. Ele é um alívio cômico sem exageros e muito bem dosado, e praticamente assume o papel de mãe na criação de Gloria, até que Kristin finalmente retorna pra a vida deles.

Esse é um filme com um clima delicioso de roadtrip movie, mas com uma carga dramática um pouco mais acentuada do que os filmes hollywoodianos, afinal estamos falando do cinema francês. Embora sua estética seja construída com muito cuidado, não temos nenhum elemento de enorme destaque, e nem é necessário. O importante aqui é a relação entre pai e filha, e as distâncias enormes que Samuel está disposto a ir para garantir que Gloria tenha uma vida plena e feliz ao lado de quem ama.

Temos aqui mais uma vez aquela (sempre necessária) lição primorosa de que a vida vale a pena não importa as dificuldades pelas quais passamos, e no nosso mundo de hoje esse tipo de mensagem faz toda a diferença no cinema. Vale cada segundo da experiência.”

Essa crítica foi feita por Felipe Bittencourt (@flpbittencourt). 

❤️ O MELHOR FILME DO UNIVERSO DC! | Crítica Mulher-Maravilha (2017)

Olá pessoas lindas!

É com muito amor que eu trago a resenha de mulher-maravilha no nosso canalzinho lindo! Espero que gostem!

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Beijos!

Crítica “Vida” . Filme de terror com cenas sangrentas, mas que não passa disso.

Faltando pouquíssimo tempo para o lançamento de Alien: Covenant, Daniel Espinosa surge com um filme muito próximo e claramente inspirado na proposta desta franquia, que assusta, mas que deixa a desejar.

Confesso que quando cheguei na sala de cinema, eu não tinha a menor ideia de onde eu estava me enfiando. Assumindo riscos, fui assistir um filme sobre o qual eu pouco sabia. Eu desconhecia inclusive o seu gênero. Os primeiros minutos do filme, porém, não dão indicação alguma para viajantes desavisados do que está por vir – isso pode ser bom ou ruim, considerando que o susto quando a verdade veio a tona foi muito maior e é exatamente isso que a obra espera: sustos. No entanto, o início do filme é apenas uma amostra do retalho que é esta obra, que se inspira em várias outras do mesmo gênero, como Gravidade, Interestelar e até mesmo o próprio Alien.

O filme se passa em uma estação espacial, que muito se assemelha a uma que existe hoje, a ISS (International Space Station) – trazendo até uma verossimilhança ao mundo de hoje, embora seja algo que muito limite a estética do filme. Por ser uma estação com uma gravidade diferente a da Terra, muito se pode explorar em movimentos de câmera e cena. Apesar de ter sido uma tentativa ousada, isso não foi feito muito bem, deixando os telespectadores diante de cenas angustiantes e que não demonstram tão bem a atmosfera que o filme quer passar, ao menos nos primeiros minutos, pois essas cenas se encaixam muito bem com as cenas de perseguição e ataque.

A estação é habitada por seis astronautas que esperam o retorno de uma sonda do planeta Marte, tal sonda contém amostras do solo do planeta e em uma dessas amostras, o cientista Hugh Derry, interpretado por Ariyon Bakare, descobre uma única célula semelhante a células encontradas na Terra. Em um experimento curioso com glicose, ele é capaz de trazer a célula de volta à vida e vemos durante o filme como este ser vai se desenvolvendo até se tornar algo semelhante a uma estrela do mar translúcida e super inteligente – o vilão da história, carinhosamente nomeado de Calvin, por crianças na Terra.

A obra então se desenrola nas tentativas dos personagens em sobreviver aos ataques do alien que se desenvolve cada vez mais rápido, a medida que vai encontrando e ‘comendo’ suas vítimas e, ao mesmo tempo, não deixar que ele chegue ao planeta azul, onde pode causar uma catástrofe.

Vida tem seus momentos bons, assustadores, mas a falta de conexão entre os personagens principais e a obviedade da história faz com que eles se tornem obsoletos. Apesar de ter um elenco de peso, com atores como Ryan Reynolds, Rebecca Ferguson e Jake Gyllenhaal, os personagens são muito pouco aproveitados e parcamente interpretados e apesar das cenas – até pessoais demais – sobre eles que são inseridas durante o filme, elas não são capazes de fazer com que o público se conecte a eles e apenas quebram o ritmo da história.

Resumindo, Vida é um filme interessante, para quem gosta do gênero, com algumas boas cenas de terror e bem sangrentas, como o público gosta, mas não passa disso.

Crítica Velozes e Furiosos 8, um filme exatamente como esperávamos.

Nota: 2,5 de 5

Ano de lançamento: 2017

Diretor: F. Gary Gray

Gênero: ação

Lembro-me de ter lido certa vez um texto de Ferreira Gullar que dizia “A novela de televisão – com raras exceções – pode ser definida como uma história implausível que se desdobra em episódios cada vez mais implausíveis […] Outra característica da vilã é a capacidade que tem de consumar suas maldades sem que nada o dificulte ou impeça.” Ao assistir Velozes e Furiosos 8 – em seu título original The Fate of the Furious, que remete a um final próximo da série, filme confirmado como sendo o primeiro pertencente a uma trilogia que levará ao fim de da franquia – percebi que o que eu estava assistindo muito se assemelhava a uma novela da dramaturgia brasileira, o que não precisa ser de todo ruim.

Desde 2001, a corrida de carros se tornou um dos favoritos temas de filmes de ação de seu público, com o lançamento do primeiro filme Velozes e Furiosos. E, mesmo quase 17 anos depois, ele não deixa de surpreender em suas cenas de ação cada vez mais exageradas, mostrando que é uma das únicas sequências de filmes de uma franquia que consegue manter-se firme em seus propósitos. Um filme divertido e cheio de cenas cada vez mais mirabolantes, mas que dificilmente passa disso.

O protagonista, Dominic Toretto, encontra-se frente a um terrível desafio neste filme: enfrentar a sua própria família, ao aliar-se com a vilã Cipher – interpretada por Charlize Theron. Tal união entre o protagonista e a mais perigosa hacker do mundo tem o seu porquê sendo revelado ao longo da narrativa, em inserções que vem numa tentativa de dar ao filme um ar um pouco mais profundo – que falha terrivelmente em sua maioria pela falta de capacidade de Vin Diesel em demonstrar o que realmente o personagem está vivendo.

A sua família – os outros corredores – devem então impedir Dom de continuar seus ataques e descobrir porque ele está agindo dessa forma, jamais perdendo a confiança em seu parceiro. O que acontece em seguida é uma sucessão de eventos que apenas prova que nada de ruim pode acontecer a essas pessoas, como se o caminho estivesse aberto para eles e tudo que eles tentem fazer seja muito simples, como invadir uma base militar ou roubar tecnologia nuclear – o mesmo acontece com a antagonista, que encontra poucos reais desafios em sua jornada – e o filme acaba quase virando uma guerra entre quem consegue fazer mais coisas surreais em menos tempo. A corrida de carros virou um espetáculo, no qual tudo pode acontecer e os protagonistas jamais saem gravemente feridos.

Porém, quem entra na sala de cinema para assistir Velozes e Furiosos 8 não está esperando uma trama intricada e cheia de detalhes, e sim por mais e mais cenas de carros pulando edifícios, batendo em outros carros e explosões. Além de novamente exibir Dwayne Johnson e Jason Statham, que trazem com suas brigas hilárias um alívio cômico ao filme e devolvem a ele o tom divertido que parece que tentaram equilibrar com o drama de Dominic. O filme não deixa o telespectador decepcionado, porém traz um exagero em si que vem se tornando cada vez mais comum no decorrer dos filmes da franquia, utilizando-se de muitos recursos pirotécnicos e cenas completamente irreais para representar o que antes encantou seu público.

No fim das contas, Velozes e Furiosos é um filme que tem o que se espera dele e nada mais, cenas de ação extremamente elaboradas e uma história de fundo que pode-se chamar de previsível e que não impacta tanto quanto os carros explodindo.